TransOceânica: começa a perfuração do túnel Charitas-Cafubá

07/07/2015 - 22:07

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A Prefeitura de Niterói iniciou nesta terça-feira (7.7) a perfuração do Túnel Charitas-Cafubá, um dos trechos mais importantes da construção da TransOceânica, via expressa que vai ligar a Região Oceânica à Zona Sul da cidade. Às 11h53 foi acionado o botão para a primeira detonação, na qual foram utilizados 150 quilos de explosivos.

A partir desta quarta-feira serão realizadas três detonações por dia, durante um ano, prazo para que a obra esteja concluída. O túnel, que terá o nome do jornalista, poeta, professor e memorialista Luís Antônio Pimentel, falecido em maio, aos 103 anos, terá 1,3 quilômetro de extensão e duas galerias, com quatro pistas cada uma – duas para carros, uma para os ônibus do sistema BHLS e uma ciclovia.

No canteiro de obras, no Cafubá, todo um aparato de segurança foi montado para a primeira explosão. Além de funcionários da obra e de autoridades municipais, os moradores também tiveram acesso ao local, como a assistente administrativa Beatriz Paiva Maia, 40 anos, que mora em Itaipu. Ela fez questão de levar o filho Lucas, de 7 anos, para ver de perto o início da perfuração do túnel.

“Fiz questão de vir porque agora acreditamos que o túnel vai sair, para que a gente possa chegar mais rápido à Icaraí, ao Centro. A gente acaba indo menos a esses bairros por conta do tempo que levamos. Agora com o túnel vai ficar muito mais fácil, vai facilitar a vida de todos que moram na Região Oceânica. Vamos poder aproveitar mais o tempo em casa, isso é qualidade de vida. Trouxe o Lucas para que ele possa, daqui a algum tempo, ao passar pelo túnel, dizer que participou da primeira explosão”, afirmou.

De acordo com o prefeito, a integração entre diferentes esferas de governo foi fundamental para garantir o início da obra.

“Dezenas de órgãos municipais, estaduais e federais aprovaram o projeto. Nós vencemos 50 etapas para chegarmos ao dia de hoje. Esse projeto é mais do que uma obra viária, é um projeto de mobilidade urbana. Além do túnel sem pedágio, vamos ter um corredor de BHLS, que vai ligar o Engenho do Mato a Charitas, chegando à estação do catamarã, em menos de 25 minutos. Hoje as pessoas levam mais de uma hora para fazer esse trajeto. Esse é um projeto que os niteroienses aguardam há muitos anos e também é muito importante porque vai tirar o fluxo pesado de veículos de eixos saturados da cidade, como o Largo da Batalha e as avenidas Roberto Silveira e Marquês de Paraná. Ele cria uma alternativa de deslocamento para as pessoas”, explicou o prefeito.

O chefe do Executivo municipal destacou, ainda, que uma cidade desenvolvida é aquela onde a classe média e os mais ricos também andam de transporte público porque ele tem qualidade “Na verdade, essa é a vertente deste projeto. Mais do que uma obra viária, ele tem o objetivo de melhorar a performance do transporte público em Niterói, oferecendo mais conforto, pontualidade e qualidade. Dessa forma, não tenho dúvida que as pessoas vão optar por não andar de veículos individuais para seus deslocamentos. Esse é o caminho para a sustentabilidade e para a qualidade de vida”, ressaltou.

O prefeito disse também que a prefeitura está negociando com o Estado a implantação de um sistema de barca na estação de Charitas similar ao da estação Araribóia, com catamarãs sociais, para ampliar a sua capacidade de transporte de passageiros, com preço mais acessível, oferecendo uma alternativa real de transporte de qualidade.

O vice-prefeito Axel Grael, que coordenou a parte ambiental do projeto da TransOceânica, disse que esta terça-feira é um dia que será lembrado pelo resto da vida.

“Vamos lembrar que chegamos até aqui depois de muito esforço e trabalho de uma equipe grande de pessoas, de parcerias com os governos federal e estadual, todos unidos com o objetivo de proporcionar a Niterói uma alternativa de mobilidade sustentável, uma experiência inovadora, com o BHLS, que é uma concepção que se aplica perfeitamente à necessidade da Região Oceânica. A TransOceânica foi planejada para ser uma alternativa competitiva ao uso do automóvel. Ela só vai atingir seus objetivos se fizer com que as pessoas deixem os carros em casa e usem o transporte coletivo. É um projeto perfeito nesse sentido e tenho certeza que a vida dos cidadãos vai ser bem mais fácil e mais confortável a partir da conclusão dessa obra”, disse Grael.

Para a secretária municipal de Urbanismo e Mobilidade, Verena Adreatta, responsável pelo parte técnica do projeto, a via expressa será um marco na cidade de Niterói.

“A TransOceânica vai integrar duas áreas da cidade por um túnel, que era esperado há mais de 40 anos pela população. E é também uma obra de infraestrutura de transporte público, com o BHLS, que são ônibus que vão trafegar com regularidade, comodidade e com percursos bem determinados. Isso para a população vai se traduzir em economia de tempo no deslocamento de casa para o trabalho. Destaco também a intermodalidade com o catamarã de Charitas, que facilitará a vida dos usuários do transporte coletivo”, afirmou Verena.
Obra completa ficará pronta em 24 meses
A TransOceânica será uma via expressa de 9,3 quilômetros de extensão, e vai atender diretamente 11 bairros da Região Oceânica de Niterói. A previsão é de transportar cerca de 80 mil pessoas por dia. A primeira etapa é a construção do túnel. A obra completa ficará pronta em 24 meses.
A via contará com ônibus no sistema BHLS (Bus of High Level of Service), o primeiro implantado na América do Sul, equipados com ar-condicionado e com portas de ambos os lados. Pelo sistema, os passageiros poderão embarcar nos veículos em seus próprios bairros. Em seguida, os ônibus entrarão na faixa exclusiva do BHLS.

O ônibus fará o percurso do Engenho do Mato até Charitas em 25 minutos, passando por 13 estações e pelo túnel, que não terá cobrança de pedágio. O corredor viário também contará com ciclovia.
No projeto da TransOceânica está prevista, ainda, a integração da via com a estação hidroviária de Charitas, que será transformada em um terminal intermodal.

O investimento total da obra é de R$ 310.894.585,00, com recursos do governo federal e da Prefeitura de Niterói.